quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Lições sobre Perseverança

Muitas vezes na vida somos colocados em circunstâncias nas quais nunca gostaríamos de estar. Nesses momentos, às vezes, pensamos em desistir. Muitas vezes chegamos a dizer que “não agüentamos mais! Mas, na caminhada cristã devemos aprender a desenvolver a perseverança, mesmo em meio às circunstâncias difíceis e dolorosas da vida.
No livro de Josué lemos as palavras de Calebe dizendo: “Mas meus irmãos, que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo; eu porém perseverei em seguir ao Senhor meu Deus” (Js 14:8). Perseverança é a chave deste texto, não somente neste versículo, mas em todo o capítulo (cf. Js 14:8-9, 14).

Vejamos algumas lições sobre perseverança extraídas da vida de Calebe:

1)      Podemos ver que a perseverança de Calebe se seu em um momento de intensa oposição. Quando Josué e Calebe voltaram de espiar a terra ou outros espias infamaram a terra que haviam visto (Nm 13:32), mas em Josué e Calebe houve outro espírito e eles perseveraram em seguir ao SENHOR (Nm 14:24) mesmo em meio a opiniões mentirosas e contrárias.
2)      A perseverança não tem o tempo como fator determinante. Calebe tinha 40 anos quando recebeu a promessa do SENHOR (Js 14:7) e só recebeu a promessa aos 85 anos (Js 14:10). Observe que ele esperou durante 45 anos pelo cumprimento da promessa de Deus! Aprendemos com isso que a perseverança não é apenas uma disposição do passado, mas uma disposição contínua em persistir em algo.
3)      Devemos perseverar mesmo em meio às dores da vida. A perseverança de Calebe se deu, em sua maior parte, durante os 40 anos em que o povo vagueava pelo deserto até que toda aquela geração morresse. Calebe, provavelmente, viu seus pais, irmãos, sobrinhos, primos, tios e amigos morrerem durante este período. No entanto, em meio a tanta dor e sofrimento ele continuou perseverando no SENHOR e na sua promessa.
4)      Deus renova as forças dos que perseveram, mesmo que já se tenha passado muitos anos. Calebe diz que aos 85 anos ainda estava tão forte quanto aos 40 anos de idade! Lembremo-nos das palavras do profeta Isaías que diz: “Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.
Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão;
Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” (Is 40:29-31).
5)      Só podemos perseverar por meio da fé de que Deus é o mesmo, ele não muda! Calebe cria que o mesmo Deus que lhe fez uma promessa há 45 anos atrás era o mesmo para cumpri-la em sua velhice. Veja o que ele disse: “Porventura o SENHOR será comigo, para os expulsar, como o SENHOR disse” (Js 14:12). Ele cria que o poder de Deus era o mesmo, tanto no passado como no presente.
6)      Somente os que perseveram alcançam a herança que Deus prometeu (Js 14:14). O texto do capítulo 14 de Josué termina nos mostrando o grande valor da perseverança. Ele alcançou aquilo que Deus prometera por meio da perseverante espera no SENHOR!

Com isto aprendemos que vale a pena esperar no SENHOR e nas suas promessas. Portanto, não jogue a toalha, persevere na Palavra de Deus. Creia que Jesus é mesmo sempre (Hb 13:8). Nunca duvide que Ele é poderoso para renovar até mesmo a tua esperança já fatigada. Por fim, não condicione sua perseverança ao calendário. Muitas vezes vemos os anos passarem e nada acontecer, mas nunca se esqueça que Deus age no tempo perfeito dEle. Por isso, continue esperando no SENHOR mesmo que já tenha passado muitos anos e lembre-se que somente os que perseveram são os que alcançam a herança do SENHOR. E aí, você vai continuar perseverando ou vai jogar a toalha?

No amor de Cristo,
Pr. Gilberto Anselmo.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Afinal, o que é orar?

Por
Augustus Nicodemus



Orar a Deus deveria ser uma coisa simples. Todavia, poucos assuntos precisam de mais esclarecimentos do que a oração. Há muitos conceitos errados sobre a oração por causa do misticismo e da superstição que acometem o ser humano (não somente os brasileiros), por falta de mais conhecimento bíblico sobre o assunto e por causa de ideias equivocadas que as pessoas têm sobre Deus. Seguem alguns pontos sobre oração que penso que são fundamentais e também relevantes para nós hoje. Estou pressupondo o básico: quem vai orar acredita que Deus existe e que Ele recompensa os que o buscam (Hb 11.1-2 e 6).

1 – Orar é basicamente apresentar a Deus, mediante Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo, nossos desejos, necessidades, confissão de pecados, intercessões, agradecimentos. A razão é que somente o Deus Triúno conhece nossos corações, é capaz de atender os pedidos e o único que pode perdoar pecados. Portanto, não há qualquer fundamento bíblico para dirigirmos nossas orações a quaisquer criaturas, vivas ou mortas, mas somente ao Deus Triúno (2 Sm 22:32; 1Rs 8:39; Is 42:8; Sl 65:1-4;145:16,19; Mq 7:18-20; Mt 4:10; Lc 4:8; Jo 14:1; At 1:24; Rm 8:26-27; Jo 14:14 e dezenas de outros textos que falam de nos dirigirmos a Deus).

2 – O Novo Testamento nos ensina que devemos orar a Deus em nome de Jesus Cristo. A razão é que o pecado nos afastou de Deus e não podemos nos aproximar dele por nossos próprios méritos. Jesus Cristo é o único, na terra e no céu, que foi constituído pelo próprio Deus como mediador entre ele e os homens. Não há qualquer base bíblica para se chegar a Deus em oração pela mediação de qualquer outro nome. A Bíblia nos ensina que “não há outro nome dado aos homens” (At 4:12) e que “há somente um mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo” (1Tim 2:5). (Ver ainda Jo 14:6; Ef 3:12; Cl 3:17;Hb 7:25-27;13:15).

3 – Orar em nome de Jesus é nos achegarmos a Deus confiados nos méritos de Jesus Cristo e no perdão de pecados que ele nos conseguiu por meio de sua morte na cruz. É pedir a Deus com base nos merecimentos de Cristo e não nos nossos. É renunciar a toda justiça própria e chegarmos esvaziados de nós mesmos diante de Deus, nada tendo para oferecer em nosso favor a não ser a obra daquele que morreu e ressuscitou por nós. Onde não houver esta disposição e atitude, invocar o nome de Jesus é vão. O nome de Jesus não é um talismã ou uma palavra mágica, ou a senha para desbloquear as bênçãos de Deus. Não funciona nos lábios daqueles que ainda confiam em si mesmos e na sua própria justiça, ainda que repitam este Nome dezenas de vezes em oração (Mt 6:7-8; 7:21; Lc 6:46-49; Jo 14:13,14; At 19:13-16; 1Jo 5:13-15; Hb 4:14-16).

4 – Embora possamos pedir a Deus qualquer coisa que desejarmos, todavia, só deveríamos orar por aquelas que trazem a maior glória de Deus, que promovem o crescimento do Reino de Deus neste mundo e que são para nosso bem, sustento, proteção, alegria, bem como de nosso próximo. Foi isto que Jesus nos ensinou a pedir na oração do “Pai Nosso” (Mt 6:9-13), além de outras coisas afins (Lc 9:11-13). Assim, é tentar a Deus orarmos por coisas ilícitas e pedir coisas que Ele declara, na Bíblia, serem contra a sua vontade (Tg 4:1-3; Mt 20:20-28).

5 – Em nossas orações, deveríamos nos lembrar de orar por outras pessoas. A Bíblia nos ensina a pedir a Deus pelos irmãos em Cristo, pela Igreja de Cristo em todo o mundo, pelos governantes, por nossos familiares e pessoas de todas as classes, inclusive pelos nossos inimigos. Todavia, não há qualquer base bíblica para orarmos pelos que já morreram ou oferecer petições em favor dos mortos (Gn 32:11; 2Sm 7:29; Sl 28:9; Mt 5:44; Jo 17:9 e 20; Ef 6:18; 1Tm 2:1-2; 2Ts 1:11; 3:1; Cl 4:3).

6 – Deus nos encoraja a trazer diante dele as nossas petições. Todavia, ainda que a eficácia de nossas orações dependa exclusivamente dos méritos de Cristo, Deus nos ensina em sua Palavra que há determinadas atitudes nos que oram que fazem com que ele não atenda estas orações, como brigas entre irmãos, mundanismo e egoísmo, tratar mal a esposa, pecados ocultos, incredulidade e dúvidas, falta de perdão a quem nos ofende, hipocrisia, vãs repetições, entre outras coisas (Mt 5:23-24; Tg 4:1-3; 1Pe 3:7; Sl 66:18; Pv 28:13; Is 59:1-2; Tg 1:6-7; Mt 6:14-15; Mt 6:5; Mt 6:7-8). Por outro lado, se nossas orações são respondidas, isto não se deve à nossa santidade, mas à graça de Deus mediante Jesus Cristo, que nos habilita a viver de forma agradável a ele (1Jo 3:21-22), e ao fato de que as orações, por esta mesma graça, foram feitas de acordo com a vontade de Deus (1Jo 5:14).

7 – Deus requer fé da parte dos que oram (Hb 3:12; 11:6; Jer 29:12-14; Tg 1:5-8; 5:15). Esta fé é uma simples confiança de que Deus existe, que ele nos aceitou plenamente em Cristo e que é poderoso para nos dar aquilo que pedimos, ou então, nos dar muito mais do que imaginamos (Hb 4:14-16). Orar com fé é trazer diante de Deus nossas necessidades e descansar nele, confiantes que ele responderá de acordo com o que for melhor para nós (1Jo 5:14-15). Orar com fé não significa determinar a Deus que cumpra nossos pedidos, ou decretar, como se a oração tivesse um poder próprio, que estes pedidos aconteçam. Orações não geram realidades espirituais e nem engravidam a história. É Deus quem ouve as orações e é Ele quem decide se vai respondê-las ou não, e isto de acordo com sua vontade e propósito de sempre nos fazer bem.

Se houvesse mais oração verdadeira a Deus por parte dos que professam conhecê-lo mediante Jesus Cristo, quem sabe veríamos aquele avivamento e reforma espirituais que tanto desejamos para nossa pátria?

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Cron 7:14).



.