Ao
olharmos o contexto imediato de Ef 4.26, podemos perceber que o tema que o
apóstolo está desenvolvendo trata da vida cristã, do revestir-se do novo homem.
Neste texto, em específico (Ef 4.26), Paulo orienta os seus leitores quanto à
ira. O texto traz duas exortações, para isto o apóstolo utiliza o verbo no
imperativo grego, “irai-vos” e não se “ponha”.
O
apóstolo Paulo parece estar fazendo uma citação do texto de Sl 4.4 onde Davi
diz: “irai-vos e não pequeis, consultai no travesseiro o coração e sossegai”.
Neste salmo, o rei Davi exorta para que ao deitarmos nossa cabeça ao
travesseiro possamos meditar nos sentimentos de nosso coração.
No
caso do texto de Efésios, o apóstolo mostra que o revestir-se do novo homem,
inclui um controle do sentimento de ira. Ao que parece, neste texto, o irar-se
não é um pecado em si, pois podemos ver que as Escrituras atribuem a ira ao
próprio Deus (1 Rs 11.9) e ao Senhor Jesus (Mc 3.5; Jo 2.15-17). Isto mostra
que há um determinado tipo de ira, que não é pecaminosa e, que é atribuída até
mesmo ao Deus Trino!
Tiago,
em sua epístola, sugere a possibilidade da ira, embora devêssemos ser tardios
nesta prática (Tg 1.19). No entanto, ele prossegue dizendo que a ira humana não
produz a justiça de Deus (Tg 1.20).
O
texto de Efésios, por tanto, parece referir-se à ira contra o pecado ou atos
pecaminosos, cometidos pela própria pessoa ou por outras pessoas. Desta forma,
o apóstolo está falando do controle do sentimento da ira no coração de cada
crente.
A
interpretação do texto, então, é que os crentes não devem permitir que a sua
ira contra o pecado, que é legítima, se torne em um sentimento de amargura ou
irritação com a pessoa que cometeu o pecado, e que não devemos permitir que
nosso coração guarde este sentimento. Por isso, não devemos terminar o dia sem que
tenhamos resolvido tal sentimento em nossos corações.
Com
isto podemos extrair algumas aplicações:
1)
Não podemos deixar que ira contra o pecado se
transforme em ira contra os pecadores.
2)
Como crentes, que estamos nos revestindo do
novo homem, não podemos viver intrigado de ninguém, não importa se esta pessoa
pecou ou não contra ele.
3)
Sentimentos expressos por frases como: “não
suporto este irmão, pois ele me feriu muito”; “fulano pra mim morreu, pois ele
foi meu algoz”; não devem ser ditas ou nutridas em nossos corações. Esse tipo
de postura é dar lugar à ira que não glorifica a Deus, pois passou para o
âmbito pessoal/relacional.
4)
Não podemos deixar que o tempo resolva o
problema da ira, mas devemos correr contra o tempo e resolver o mais rápido
possível os nossos problemas interpessoais.
Observando
isto estaremos nos revestindo do novo homem, que em nós foi criado no dia de
nossa conversão. Lembremo-nos das palavras do apóstolo, que diz: “se for
possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18).
No amor de Cristo,
Pr. Gilberto Anselmo.
