terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O Sentido do Natal


     O mês de dezembro sempre é o mais luminoso dos meses. Este é também o mês onde as pessoas se sentem mais “caridosas”, há um sentimento quase que universal de solidariedade e de confraternização; esses sentimentos são muito subjetivos Há também, um bom velhinho, de roupas vermelhas e barba branca, que inspira o imaginário da maioria das crianças e está presente na maioria das decorações. Este é o mês natalino, onde deveríamos celebrar o nascimento de Jesus. Ao olharmos para as celebrações natalinas percebemos que o natal perdeu o seu sentido original. As pessoas falam de paz, amor, prosperidade, saúde, fraternidade e uma série de outras coisas, mas esquecem de falar do verdadeiro sentido do natal!
     O anjo ao se apresentar em sonho a José disse: “e dará [Maria] à luz um filho e chamarás o seu nome de JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta que diz: Eis que a virgem conceberá, dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco” (Mt 1.21-23). Essas palavras nos apresenta o real sentido do Natal.
     Em primeiro lugar, o natal é uma festa onde se deve celebrar a salvação providenciada por Deus. O nascimento de Jesus indica que Deus estava cumprindo sua promessa de salvação e o povo de Deus seria liberto da condenação dos seus pecados. O Salvador chegou! Deus está agindo de forma graciosa no nascimento de Jesus, providenciando reconciliação entre homens e mulheres pecadores, rebeldes, ingratos, condenados ao inferno. Na verdade, pela fé em Jesus esses homens e mulheres são feitos filhos de Deus (Jo 1.12) Agora por meio da pessoa de Jesus a reconciliação é de fato uma realidade. Essa certeza da salvação providenciada na pessoa de Jesus é expressa na teologia paulina da seguinte forma: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8.1).
     O natal também é a maior expressão da revelação de Deus para humanidade. Lembremos que a humanidade estava em rebelião contra Deus. O salmista afirmou, “desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl 14.3; cf Rm 3.10). E agora na pessoa de Jesus, Deus se encarna. O apóstolo João diz: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória o unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Na verdade Jesus é o cumprimento do que disse o profeta Isaías, que disse: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7.14; cf Mt 1.23).
     Desta forma, o natal é revestido de um sentido muito maior do que os subjetivos desejos de fraternidade, solidariedade, saúde e paz. O natal passa a ter um sentido redentor, onde a salvação e reconciliação entre a humanidade condenada e caída com Deus chegou. Cristo é o cumprimento de todas as expectativas de comunhão eterna com Deus. Com isso, o centro do natal não é o “bom velhinho” que traz presentes embrulhados em papéis laminados, mas o Filho de Deus, que se encarna e vem como o maior presente para a humanidade embrulhado em carne humana.
     Esta é uma data onde devemos celebrar o plano de salvação de Deus. O seu amor incondicional e sua fidelidade. O que devemos desejar é que Jesus, através da infinita graça de Deus, nasça em muitos corações trazendo assim salvação e redenção! Devemos desejar ainda vivermos uma vida santa, como a do nosso Salvador, pois ele nos libertou dos nossos pecados! Agora somos livres na pessoa de Jesus. Louvado seja o SENHOR, pois o natal chegou! 

                                                                                                                            
No amor de Cristo,

Pr. Gilberto Anselmo                     

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O Ciclo do Pecado (Gn 3.1-10)


     O pecado corrompeu a humanidade de uma forma tal que podemos ver suas consequências em todas as áreas da sociedade. Este pecado foi injetado de forma muito maliciosa pelo tentador.
     O texto de Gênesis 3.1-10 relata o fato histórico da queda do primeiro casal. Aqueles que foram criados por Deus e colocados para serem os regentes da criação. A intenção de Moisés ao escrever este capítulo é nos mostrar como o pecado e o caos entraram na criação, a qual era muito boa. Todos os personagens e fatos relatados aqui devem ser interpretados como sendo literais.
     Esse pecado trouxe drásticas conseqüências para a humanidade. Gostaria de refletir sobre o ciclo do pecado e como ele foi introduzido na criação. Isto deve nos levar a estarmos mais atentos para lutarmos contra o pecado.



A raiz do pecado é lançar dúvida sobre a vontade de Deus (Gn 3.1-3) - Coração

     A sugestão lançada pela serpente sugere certo tipo de incredulidade. Perceba que o tentador não chegou fazendo afirmações contra Deus. Mas, começou lançando a semente da dúvida por meio de uma sugestão. Veja a sugestão da serpente, colocando em dúvida a ordem de Deus, quando ela disse: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” (Gn 3.1). Podemos ver então, que o primeiro pecado começou com um flerte. Entre uma criatura sábia/prudente, que Deus havia criado, e a mulher. Nada parece estranho neste diálogo, a não ser o fato de que o que está sendo lançado em dúvida é a vontade boa e santa de Deus.
     O tentador também parece estar pretendendo colocar na mente de Eva, por meio de sua sugestão duvidosa, de que a Palavra de Deus está sujeita ao nosso julgamento. Como se nós pudéssemos definir o que é certo ou não do que Deus disse. Eva então, seduzida pela dúvida lançada pela serpente, agora responde a sua pergunta com um exagero (Gn 3.2-3). Eva acrescenta algo que Deus não disse, tornando assim a vontade de Deus algo pesado de demais ou legalista, abrindo assim a porta para que o tentador continue seu trabalho maligno.



O pecado consiste em uma negação da vontade de Deus (Gn 3.4-5)- Coração

     Depois de incutir a dúvida, vemos agora que, o tentador faz mais uma tentativa. A serpente propaga uma mentira no lugar da verdade de Deus. Seria como se ela estivesse dizendo: “Deus enganou vocês, o que Ele disse não é verdade!”. Com isso ela toma a verdade de Deus como sendo uma mentira. Algo que pudesse ser desconsiderado. Ele faz com que Eva leve em consideração que Deus pode está enganado ou impedindo que ela e seu marido desfrutem de algum prazer. A primeira doutrina a ser negada é a do juízo, pois a serpente disse: “Certamente não morrereis”. Hoje em dia, muitas pessoas crêem em um Deus que é somente amor e que não irá punir as pessoas pelos erros e pecados. Estas também estão sendo engodadas pelo Diabo em seus corações e esquecem que Jesus falou muito sobre o juízo eterno (cf Mc 9.43-48).
     A serpente apresenta Deus não como um criador bom e cuidadoso, mas como um rival, alguém a ser invejado. Para incutir isto no coração de Eva a serpente mente para eles dizendo que eles “serão como Deus, sabendo o bem e o mau”. Coloca-se então, no coração de Eva o sentimento da rebelião contra o Criador.



O pecado consiste em dar vazão aos sentidos (Gn 3.6) – Atitudes

     Eva havia sido enganada pela serpente. O tentador conseguiu atraí-la com suas mentiras.  Agora, Eva mostra o que está em seu coração. Mostra toda rebelião que foi injeta dentro de si. Mostra em que ela se tornou ao ceder às tentações da serpente.
     Devido ao pecado que foi instalado em seu coração, seus sentidos agora estão também corrompidos. Seus olhos não mais enxergam o mundo da perspectiva de Deus. Por isso ela passa a contemplar aquele fruto que ela já conhecia e que, provavelmente, já havia visto várias vezes. Sua visão não é mais espiritual, agora ela pega do fruto e come. Hoje o mundo se utiliza deste sentimento corrompido para nos conduzir a atitudes corrompidas (1 Jo 2.15-17).
     Nossas atitudes revelam o que há em nosso coração. Quando pecamos estamos mostrando o que há dentro de nós. Adão, provavelmente, viu toda a tentação e estava próximo de sua esposa, mas ele não fez nada. Ele simplesmente foi omisso e comeu junto com sua esposa!
     Há aqui um lembrete para os casais de que a serpente imprimi a tentação invertendo os papéis. Observe que ela não busca o diálogo com Adão, que era o líder. No lugar disto, a serpente busca incutir o pecado na mulher. Aqui há um lembrete para os homens, "maridos assumam sua responsabilidade de líderes do seu lar"!



O pecado traz o medo e a separação da comunhão com Deus (Gn 3.7-10) – Relacionamento.

     Depois de pecarem, Adão e Eva agora colhem o fruto de suas ações. Seus olhos, sua visão, foram modificadas como a serpente havia dito. No entanto, eles agora percebem o mundo que eles conheciam de outra forma.
     O relacionamento entre o casal foi afetado. Eles agora sentiam vergonha da sua nudez, algo que não havia antes. Isto mostra como o pecado corrompeu a percepção de mundo deles. Por isto, eles tentam reparar ou cobrir os efeitos do pecado fazendo um tipo de vestimenta primitiva com folhas.
     No entanto, o autor de Gênesis, nos mostra ainda que ao ouvirem o som de que Deus estava indo encontrá-los, eles então se esconderam da presença de Deus. O texto diz que o SENHOR passeava no jardim pela viração do dia. O verbo “passeava” em hebraico tem uma ação repetitiva, ou seja, todos os dias o SENHOR se encontrava com Adão e Eva.
     O pecado os impediu de se encontrarem com Deus e desfrutarem de sua presença. O pecado trouxe a morte espiritual para aquele primeiro casal. O casal que antes andava com Deus e se regozijava em sua presença, agora depois do pecado, se encontra longe de Deus em uma fuga vergonhosa, e que no lugar do gozo da presença de Deus passam a sentir medo de sua presença.
     O pecado sempre quebra nossa comunhão com Deus. Sentimos nojo do pecado e nos sentimos tão longe de sua presença. Mostrando assim que nosso relacionamento foi terrivelmente afetado por causa do pecado. Vejam o caso de Caim, que depois de pecar, reconhece que terá que “fugir da presença de Deus” (Gn 4.14), então ele se afasta da presença de Deus e vai para terra de Node, que significa peregrinação. Ele começa a peregrinar para longe de Deus!

     Podemos concluir que pecado corrompeu totalmente o ambiente que Deus havia criado para comunhão com o homem. Isto aconteceu quando deram lugar em seu coração a dúvida e ao ressentimento. Depois deram lugar à incredulidade e passaram a duvidar da Palavra de Deus. A seguir, deram lugar para o orgulho e ao mau desejo de seu coração. O passo final foi a desobediência desenfreada. Isto trouxe conseqüências sérias. Pois por causa desta rebeldia toda descendência de Adão foi afetada. O apóstolo Paulo disse “que por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (Rm 5:12).
     Esse ciclo do pecado está em voga ainda hoje. Abramos os olhos para que não caiamos no mesmo ciclo de pecado que nossos primeiros pais.



Pastor Gilberto Anselmo.