domingo, 26 de julho de 2015

A resposta de Deus ao Pecado: A graça triunfa (Gn 3.9-21)


     Adão e Eva criados à Imagem de Semelhança de Deus, em um lugar “perfeito”, após conversarem com a serpente, tiveram uma refeição mortal. Mas a história do pecado não acaba por aí, pois Deus vem ao encontro deles para confrontá-los. Este cenário é de extrema importância para nós, pois todos nós como herdeiros do pecado de Adão, um dia estaremos na presença de Deus para respondê-lo pelos nossos pecados.
     No entanto, meus irmãos, o que me chama atenção neste texto é como Deus respondeu à rebeldia humana. A resposta de Deus ao pecado do homem mostra algo que jamais poderíamos imaginar. Creio que Adão ficou surpreso com a resposta de Deus, que no lugar de sua morte imediata lhe deu uma promessa de graça. Baseado nisto gostaria de refletir nesta manhã sobre “A resposta de Deus ao pecado: a graça triunfa”.

1.      Deus demonstra seu amor soberano (Gn 3.9-13)

     A pergunta de Deus “onde estás?” revela seu amor soberano. A pergunta que Deus fez não foi por causa de falta de conhecimento. Deus sabia o local exato onde eles estavam escondidos. A pergunta de Deus revela que, mesmo Ele sendo conhecedor do pecado de Adão, antes mesmo de que Ele viesse a cometê-lo, Deus veio ao encontro deste homem, que agora era pecador condenado a morte e ao inferno!
     O amor de Deus foi demonstrado na fuga da culpa, onde Deus começa a cobrar por ordem de responsabilidades e um vai transferindo a culpa para o outro e ninguém assume. Na verdade o que Adão e Eva mereciam era a morte (Gn 2.17; cf. Rm 6.23 – onde o salário do pecado é a morte).
     Não adianta tentar esconder de Deus o pecado. Deus deseja que no lugar de nos escondermos busquemos sua graça. Podemos ver que Deus continua soberano! Vemos no texto um casal, envergonhado pelo pecado e uma serpente, que induziu o casal ao pecado. Todos estão provavelmente aterrorizados com a chegada da pessoa de Deus (Gn 3.10), pois todos sabem de sua culpa. No entanto, Deus não foi afetado com o pecado. Ele continua soberano sobre sua criação. Isto não lhe fugiu do controle!

2.      Deus apresenta a esperança (Gn 3.15)

     Em meio a este cenário de tentação, pecado, fuga, confrontação, cobrança e condenação podemos ver uma mensagem de esperança para a humanidade. Este texto geralmente é chamado de protevangelium, o primeiro vislumbre do evangelho. Veja que no meio a todo este problema Deus tem a esperança para reverter o caos gerado pelo homem.
     É interessante que esta palavra de esperança da parte de Deus não é direcionada ao homem, mas à serpente. Mostrando assim que o inimigo será derrotado. Aquele que induziu a entrada do pecado será destruído. A derrota deste inimigo implica na remoção do pecado e a restauração da ordem criada por Deus!
     O texto nos fala de um grande duelo entre duas sementes/descendentes. A descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente, indicando um golpe mortal, sentenciando a serpente à morte. Já a serpente feriria o calcanhar do descendente da mulher, indicando que ela causará dor e perseguição ao descendente da mulher.
     O Novo Testamento nos mostra que esse duelo é entre Cristo e Satanás. Cristo é o descendente prometido (Gl 3.16). O Novo Testamento mostra ainda que, Cristo derrotou Satanás em sua obra em nosso lugar no calvário (cf. Rm 16.20; Ap 12.9; 20.2; Cl 2.13-15).
     Desta forma podemos perceber que somente Deus tem a solução para nosso pecado. Pecado este que nos foi imputado por Adão. A solução de Deus está na pessoa de Jesus Cristo, não em nossas obras ou virtudes, mas somente em sua Infinita Graça Soberana e Amor Eterno.

3.      Deus cobre nossa vergonha (Gn 3.21)

     Após o pecado Adão e Eva perceberam que estavam nus (cf. Gn 2.25) e se envergonharam “coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (Gn 3.7). Eles tentaram resolver o problema deles fazendo para si vestes improvisadas para esconderem sua vergonha e tentaram também se esconder da presença de Deus.
     Já a resposta do homem à pergunta de Deus “onde estás?” foi “ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me ” (Gn 3.10). Nos dois casos a vergonha da nudez foi enfatizada no texto. O homem que antes comparecia em sua nudez diante de Deus, todos os dias, para conhecê-lo mais e alegrar-se nEle, agora está com uma cobertura fugindo da presença de Deus. O homem não se sente mais à vontade estando com Deus.
     Mas o texto nos mostra que Deus, naquele momento e para aquela circunstância, proveu o homem de vestimentas melhores. Diz o texto que “E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” (Gn 3.21).
     Um animal morre e derrama seu sangue para que possa cobrir a vergonha de Adão e Eva. Houve uma troca, um animal “inocente” morre para cobrir um homem pecador! O isto lembra? A resposta é: substituição! Mas o sangue de animais não podem perdoar os pecados ou cobrir a nossa vergonha (Hb 10.4,14)
      Mas aquelas vestes foram temporárias. Só podemos estar vestidos dignamente na presença de Deus por meio do sacrifício de Cristo (Is 61.10; 1 Jo 1.7; Ap 3.4). Do contrário nada que utilizemos para cobrir a vergonha do nosso pecado será capaz de nos justificar quando comparecermos na presença de Deus. Somente Cristo tem as vestes de justiça apropriadas para cada um de nós!
     Assim, podemos concluir que o pecado trouxe as trevas não somente ao coração do homem, mas a toda a criação. Em meio a esse contexto sombrio Deus apresenta da graça. Onde talvez todos esperavam a destruição do homem por causa do pecado, Deus apresenta a reconciliação. No lugar da morte imediata do primeiro casal, Deus apresenta uma promessa de vida.
     O pecado de fato entrou na humanidade e a resposta de Deus ao pecado nos mostra que a graça de Deus triunfa sobre o pecado e que somente pela graça, mediante a fé em Cristo, o homem pode ser salvo do juízo e da condenação do pecado.
     Então, nunca esqueça que, naquele glorioso dia em que comparecermos diante do trono de Deus, temos a certeza de que somente pela fé em Cristo, o Filho de Deus, o descendente prometido de Gn 3.15, entraremos pelos portões da Nova Jerusalém, pois somente na pessoa de Jesus está nossa esperança e salvação!


No amor de Cristo,
Pastor Gilberto Anselmo.
Soli Deo Gloria




segunda-feira, 23 de março de 2015

Entendendo o Ciclo do Pecado (Gn 3.1-10)


Quando o pecado se instala no coração humano ele segue o seguinte processo: 1) A raiz do pecado é lançar dúvida sobre a vontade de Deus (Gn 3.1-3). Isto é produzido em nosso coração; 2) O pecado consiste em uma negação da vontade de Deus (Gn 3.4-5), que também ocorre no nosso coração; 3) O pecado consiste em dar vazão aos sentidos (Gn 3.6), isto envolve nossas atitudes; e 4) O pecado traz o medo e a separação da comunhão com Deus (Gn 3.7-10), isto afeta o nosso relacionamento com Deus.
     Isto nos mostra que, quando falamos de pecado, antes de olharmos exclusivamente as atitudes, devemos olhar o coração. O sábio disse no livro de Provérbios: “sobre tudo o que se deve guardar, guardo o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23).
Vamos refletir mais sobre algumas implicações do que é na verdade o pecado. Por isto, gostaria de voltar ao texto de Gênesis 3.1-10.

O Pecado não depende do ambiente (Gn 3.1; cf Gn 2.7-9)

     O pecado não tem justificativa, quando olhamos o contexto de Gênesis 1-3. Observe que Deus os criou segundo sua imagem e semelhança, com certeza isto incluía a santidade, e os colocou em um jardim em que não havia pecado. Hoje poderíamos dizer que aquele jardim era o melhor local do mundo para se viver.
Não havia pecado, ou maldade intrínseca no homem. Quando acabou de fazer o homem e a mulher no sexto dia, diz as Escrituras, que “viu Deus tudo quanto havia feito, e eis que era muito bom” (Gn 1.31). Isto mostra que o pecado não depende do contexto ou ambiente social em que vivemos. Muitos hoje em dia querem justificar o pecado nas circunstâncias adversas. Isso nos revela a grandeza da rebelião do homem.
O pecado desta forma se constitui não apenas em um erro ou falha, mas em uma rebelião contra o caráter santo de Deus. Somente assim podemos ver o quão grande é o pecado humano e o quão grande é a Santidade de Deus.
Hoje, o pecado faz parte da natureza do homem caído. Por isso, ele vai pecar, independente do contexto em que vive. Conta-se que certa vez um elefante e escorpião estavam à margem de um rio, planejando passar em meio às águas densas e turvas. O elefante ao olhar ficou destemido, pois sabia que por sua grandeza e força não teria problemas em passar. Já o escorpião, vendo que não poderia passar para outra margem do rio, propôs ao elefante que o levasse nas suas costas. O elefante relutou, pois desconfiava que o escorpião pudesse picá-lo e com se veneno matar o elefante durante a travessia do rio. Mas o escorpião depois de muitas juras convenceu o elefante. Então o elefante colocou o escorpião sobre suas costas e quando eles estavam na metade da travessia, ele sentiu aquela picada injetando o veneno na corrente sanguínea do elefante. Então o elefante disse para o escorpião: “por que você fez isto? Agora nós dois vamos morrer”. O escorpião, então, respondeu: “eu sei, mais isto faz parte da minha natureza”.

O Pecado consiste em uma Idolatria (Gn 3.4-6)

            Todo pecado, de certa forma, constitui-se em um pecado de idolatria, pois quando pecamos constituímos um ídolo pelo qual estamos dispostos a pecar, a despeito da vontade de Deus.
            O processo da idolatria se dá quando alguém tem algo pelo qual está disposto a afrontar a santa vontade moral de Deus. Desta forma estamos dizendo, nas entrelinhas, que encontramos uma vontade mais sábia, santa e justa do que a vontade de Deus.
            Por exemplo, muitas pessoas hoje mentem para satisfazerem o ego. Logo, a vontade do seu ego, constituiu-se em idolatria. Muitos homens e mulheres estão dispostos a fazerem o que for para manter seus casamentos, mesmo que para isto seja necessário pecar. Desta forma o seu casamento tornou-se um ídolo.
            O ídolo, existencialmente falando, sempre deseja receber toda nossa devoção e, em contrapartida, nós queremos que nossos desejos e vontades pecaminosas sejam realizados. O ídolo então faz parte de um processo de troca de vontades pecaminosas.
            Podemos ver isto na vida de Adão e Eva, quando Eva após ser contaminada pela dúvida lançada pela serpente e de ter acreditado na sua mentira expressa (Gn 3.5; cf 2.17) permite que a inveja e a soberba lhe estimulassem a tomar do fruto, pois, segundo a serpente, eles seriam “como Deus” (Gn 3.5).
            Vejamos também a vida de Saul, quando não cumpriu a vontade de Deus, pois temeu mais a opinião do povo do que a voz de Deus (Gn 2.24). Esse é o pecado do medo da opinião pública contrária, do status. Na opinião de Deus isto se chama rebeldia e arrogância. Então Deus lhe disse por meio do profeta Samuel: “tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1 Sm 15.22-23).

            O pecado não pode ser resolvido com por meio do esforço humano (Gn 3.7-10)

            O homem, quando observou a criação com os olhos corrompidos pelo pecado, viu impureza naquilo que Deus havia feito puro. E para esconderem-se da vergonha que o pecado lhes trouxe “coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (Gn 3.7). A tentativa do homem em encobrir o seu pecado foi frustrante e fracassada.
            Seus esforços pessoais, para cobrir seu estado de pecado diante dos olhos do Deus que Tudo Sabe, são no mínimo ridículos e sem lógica. Mas além de uma tentativa frustrante, esta cena também nos mostra como o homem muitas vezes tenta resolver o seu pecado com seus esforços pessoais. Como se ele pudesse resolver o problema de sua rebelião contra Aquele que é totalmente Santo, Justo e Bom.
            Muitas pessoas hoje tentam justificar seus pecados fazendo boas ações. Contribuindo para o bem do próximo. Ao fazerem isto pensam que podem amenizar o problema do seu pecado. Não sabem eles que, assim como Adão e Eva, estão tentando de forma frustrante “fazer aventais para si” na busca de cobrir sua culpa. Mas, assim como Adão e Eva, o homem moderno não percebe que esta atitude é inútil.  
            Na verdade, após o pecado, o homem agora apresenta as causas e não os sintomas. Adão justifica o fato de estar tentando se esconder da presença de Deus por causa de sua nudez. Quando a nudez é apenas um sintoma, mas a causa verdadeira da atitude de se esconder de Deus foi o pecado!
            Quantas vezes apresentamos os sintomas e não as causas. Eu tenho tentado revelar as causas dos meus pecados e não os sintomas. Já pedi perdão a minha esposa, após certo desentendimento, no qual externei muita chateação por causa de um atraso por parte dela. Mas, depois percebi que não deveria pedir perdão somente pela minha chateação, mas pelo meu egoísmo! O egoísmo foi a causa de minha chateação.
            Assim, podemos concluir que o pecado consiste em algo muito maior do que um pequeno erro ou deslize. Vivemos em uma sociedade que tem banalizado o pecado como algo normal. Em nossos dias as pessoas se mostram idólatras, onde preferem satisfazer seus próprios desejos, no lugar da vontade santa de Deus. Esperando que seu ídolo (seus próprios desejos) satisfaça suas expectativas. O pior é vermos pessoas buscando justificar seus pecados com seus próprios esforços. Que vida de fuga e sem esperança!
            Devemos buscar na vontade de Deus o nosso deleite, o nosso maior prazer e alegria. Mas o homem longe de Deus nunca conseguirá. Somente por meio de sua graça podemos ser perdoados e capacitados a servi-lo em santidade.


No amor de Cristo,
Pastor Gilberto Anselmo.

Soli Deo Gloria

sábado, 7 de março de 2015

O que está por traz da murmuração? (Êx 16.1-10)

Em nossa caminhada muitas vezes passamos por momentos de intensa provação. Situações onde tudo parece ir de mal a pior. Para alguns, a vida é um eterno sofrimento. Determinadas pessoas entram nesta vida chorando, passam toda a vida chorando e, por fim, saem dela chorando.
Diante de momentos como estes, somos levados a sentimentos extremos, e um sentimento bastante comum é a murmuração. Este é um típico sentimento de oposição a algo. Mas, o grande problema da murmuração é quando murmuramos contra Deus ou contra sua vontade Santa.
A Bíblia nos ensina que devemos fazer as coisas sem murmurações nem contendas (Fp 2.14). Esta postura está diretamente relacionada com a nossa santificação (Fp 2.15-16). Podemos ver que o próprio apóstolo Paulo tinha esta postura (Fp 2.17).
No texto de Êxodo 16 podemos ver um grande evento de murmuração, onde todo o povo, ou pelo menos a maioria do povo, murmura contra Moisés. Na verdade, eles estavam murmurando contra o próprio SENHOR. Esse ato de murmurar marcou o povo durante sua peregrinação no deserto. No entanto, apesar da murmuração parecer ser normal ou inevitável, Deus não se agrada de tal postura.
Eu gostaria de refletir sobre as causas espirituais da murmuração.
A murmuração reflete uma miopia espiritual, que nos faz ver o pior lado de todas as coisas, inclusive das bênçãos de Deus. O povo acabara de ter saído do Egito, após 400 anos de escravidão. Deus libertou este povo com mão forte e triunfou sobre todos os deuses do Egito (Êx 12.12). No entanto, pela condução de Deus eles estavam agora no meio de um deserto. No texto, podemos ver o povo murmurando contra o SENHOR, interpretando o livramento bondoso de Deus como sendo mal, pois o povo disse: “Quem dera tivéssemos morrido por mão do SENHOR na terra do Egito” (Êx 16.2). Veja que esse tipo de murmuração já havia sido feita anteriormente, na saída do Egito, quando o povo disse: “Não havia sepulcros no Egito, para nos tirar de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, fazendo-nos sair do Egito? Não é esta a palavra que te falamos no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios? Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto” (Êx 14.11-12). A murmuração fez com que o povo visse o pior lado do que estava acontecendo com eles. Eles não conseguiam enxergar as bênçãos de Deus. A amorosa ação de Deus em libertá-los parecia um ato cruel! Como temos enxergado a ação de Deus nos momentos difíceis de nossas vidas? Será que em meio ao sofrimento nós podemos ver a bondosa mão de Deus sobre nós?
A murmuração reflete falta de gratidão. A murmuração reflete uma falta de agradecimento para com aquilo que Deus tem feito em nossas vidas, mesmo em meio ao sofrimento. Veja que o povo havia sido liberto do cativeiro e não fazia muitos dias que eles, ao murmurarem viram Deus transformar as águas amargas de Mara em águas doces (cf Êx 15.24-25). Geralmente o que nos conduz à falta de gratidão é a amnésia espiritual. Isto acontece quando nos esquecemos da boa ação de Deus! Há um antigo hino que convida-nos a relembrarmos das bênçãos de Deus. O hino diz:
“Se da vida as vagas procelosas são,
Se com desalento julgas tudo vão 
Conta as muitas bênçãos, dize-as duma vez,
Hás de ver surpreso quanto Deus já fez.

Conta as bênçãos, conta quantas são.
Recebidas da divina mão.
Uma a uma, dize-as de uma vez,
Hás de ver surpreso quanto Deus já fez”.

Isto é o que aconteceu com Israel no Egito, eles esqueceram das muitas bênçãos de Deus, por isso, murmuraram! Provavelmente não muito tempo depois de Êxodo 16, o povo murmurou outra vez, agora por causa da sede (Êx 17.3). Eles pareciam ter esquecido do que o SENHOR fez em Mara (Êx 15.23-27). No lugar de ingratidão, de falta de reconhecimento daquilo que SENHOR tem feito, a Bíblia nos orienta a sermos gratos à Deus em tudo. Paulo escrevendo em 1 Tessalonicenses diz: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. No grego Paulo usa um imperativo! Dar graças em TUDO, não é uma opção, é um mandamento! Como tem andado nosso exercício de sermos gratos a Deus em todas as áreas de nossas vidas? Quando falhamos nesta área estaremos bem perto da murmuração. Um bom exercício seria agradecer ao SENHOR pelo que Ele tem feito, embora não tenha feito o que eu ainda desejo! Um bom exercício seria agradecer ao SENHOR pelo que Ele tem feito, embora não tenha feito o que eu ainda desejo! Você é capaz de fazer isto?
A murmuração reflete falta de fé. A murmuração do povo no deserto refletia também uma nítida falta de fé na bondade de Deus. O povo não mais olhava para Deus como aquele bondoso SENHOR, que ouviu o clamor do povo e os libertou. A Bíblia nos diz no Salmo 136.1: “LOUVAI ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua bondade (amor leal) dura para sempre.” O motivo de louvarmos a Deus, segundo o salmista é a bondade de Deus e o seu amor leal! Mas, quando murmuramos, mostramos nossa falta de fé nestas verdades. A murmuração mostra ainda falta de fé no poder de Deus! Muitas vezes estamos em situações de grande dor e murmuramos, pois achamos que aquela situação é o fim e que nunca poderá ser mudada. Isto reflete um conceito pequeno do poder de Deus. Paulo diz: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém” (Ef 3.20-21). Quando somos colocados em situações difíceis na vida, nós realmente cremos no poder de Deus e somos levados a murmurar?
Murmuramos quando temos mais prazer nas coisas do mundo do que nas coisas de Deus. Por fim, muitas vezes o que está por detrás da murmuração não é porque desejamos algo melhor, mas porque temos dado mais valor às coisas do mundo do que as coisas de Deus. A opinião do povo foi “Quem dera tivéssemos morrido por mão do SENHOR na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes trazido a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão”.O povo murmurou no deserto por causa das circunstâncias adversas, provavelmente a falta de comida. Mas, o que povo realmente revelou foi que amava mais a escravidão, do que a vida em liberdade com Deus. Eles amavam mais o Egito do que a presença de Deus. É melhor estarmos no deserto na presença de Deus, onde não há nada senão a Sua presença, do que na terra onde há fartura, mas onde não somos livres do pecado! O rei Davi expressa isto, quando diz: “Porque a tua bondade  (amor leal) é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão” (Sl 63.3). Moisés expressou sua paixão pela presença de Deus quando disse: “Então lhe disse: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra?” (Êx 33.15-16) A presença de Deus tem sido nosso maior bem e nossa maior alegria em meio as dificuldades?
Todos nós passamos por momentos difíceis na vida. Mas, necessitamos recordar que a murmuração revela uma profunda fraqueza espiritual. Muitos podem até achar normal, mas afinal de contas ninguém é perfeito. No entanto, devemos lembrar que Deus não se agrada da murmuração. Paulo orienta em 1 Coríntios 10.10, dizendo: “E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor”. No Antigo Testamento a murmuração sempre produziu um sentimento de indignação em Deus e em alguns casos até o juízo divino (Nm 14.2, 29; 16.11, 31-35).
No lugar de murmurarmos façamos ações de graças. Procure agora em meio ao seu sofrimento algo pelo que agradecer a Deus mesmo que nada esteja acontecendo como você deseja. Louve a Deus e creia no seu amor leal e no seu poder. Ame a presença de Deus e Ele com certeza trará paz à tua alma!


No amor de Cristo
Pastor Gilberto Anselmo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O Sentido do Natal


     O mês de dezembro sempre é o mais luminoso dos meses. Este é também o mês onde as pessoas se sentem mais “caridosas”, há um sentimento quase que universal de solidariedade e de confraternização; esses sentimentos são muito subjetivos Há também, um bom velhinho, de roupas vermelhas e barba branca, que inspira o imaginário da maioria das crianças e está presente na maioria das decorações. Este é o mês natalino, onde deveríamos celebrar o nascimento de Jesus. Ao olharmos para as celebrações natalinas percebemos que o natal perdeu o seu sentido original. As pessoas falam de paz, amor, prosperidade, saúde, fraternidade e uma série de outras coisas, mas esquecem de falar do verdadeiro sentido do natal!
     O anjo ao se apresentar em sonho a José disse: “e dará [Maria] à luz um filho e chamarás o seu nome de JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta que diz: Eis que a virgem conceberá, dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco” (Mt 1.21-23). Essas palavras nos apresenta o real sentido do Natal.
     Em primeiro lugar, o natal é uma festa onde se deve celebrar a salvação providenciada por Deus. O nascimento de Jesus indica que Deus estava cumprindo sua promessa de salvação e o povo de Deus seria liberto da condenação dos seus pecados. O Salvador chegou! Deus está agindo de forma graciosa no nascimento de Jesus, providenciando reconciliação entre homens e mulheres pecadores, rebeldes, ingratos, condenados ao inferno. Na verdade, pela fé em Jesus esses homens e mulheres são feitos filhos de Deus (Jo 1.12) Agora por meio da pessoa de Jesus a reconciliação é de fato uma realidade. Essa certeza da salvação providenciada na pessoa de Jesus é expressa na teologia paulina da seguinte forma: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8.1).
     O natal também é a maior expressão da revelação de Deus para humanidade. Lembremos que a humanidade estava em rebelião contra Deus. O salmista afirmou, “desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl 14.3; cf Rm 3.10). E agora na pessoa de Jesus, Deus se encarna. O apóstolo João diz: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória o unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Na verdade Jesus é o cumprimento do que disse o profeta Isaías, que disse: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7.14; cf Mt 1.23).
     Desta forma, o natal é revestido de um sentido muito maior do que os subjetivos desejos de fraternidade, solidariedade, saúde e paz. O natal passa a ter um sentido redentor, onde a salvação e reconciliação entre a humanidade condenada e caída com Deus chegou. Cristo é o cumprimento de todas as expectativas de comunhão eterna com Deus. Com isso, o centro do natal não é o “bom velhinho” que traz presentes embrulhados em papéis laminados, mas o Filho de Deus, que se encarna e vem como o maior presente para a humanidade embrulhado em carne humana.
     Esta é uma data onde devemos celebrar o plano de salvação de Deus. O seu amor incondicional e sua fidelidade. O que devemos desejar é que Jesus, através da infinita graça de Deus, nasça em muitos corações trazendo assim salvação e redenção! Devemos desejar ainda vivermos uma vida santa, como a do nosso Salvador, pois ele nos libertou dos nossos pecados! Agora somos livres na pessoa de Jesus. Louvado seja o SENHOR, pois o natal chegou! 

                                                                                                                            
No amor de Cristo,

Pr. Gilberto Anselmo                     

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O Ciclo do Pecado (Gn 3.1-10)


     O pecado corrompeu a humanidade de uma forma tal que podemos ver suas consequências em todas as áreas da sociedade. Este pecado foi injetado de forma muito maliciosa pelo tentador.
     O texto de Gênesis 3.1-10 relata o fato histórico da queda do primeiro casal. Aqueles que foram criados por Deus e colocados para serem os regentes da criação. A intenção de Moisés ao escrever este capítulo é nos mostrar como o pecado e o caos entraram na criação, a qual era muito boa. Todos os personagens e fatos relatados aqui devem ser interpretados como sendo literais.
     Esse pecado trouxe drásticas conseqüências para a humanidade. Gostaria de refletir sobre o ciclo do pecado e como ele foi introduzido na criação. Isto deve nos levar a estarmos mais atentos para lutarmos contra o pecado.



A raiz do pecado é lançar dúvida sobre a vontade de Deus (Gn 3.1-3) - Coração

     A sugestão lançada pela serpente sugere certo tipo de incredulidade. Perceba que o tentador não chegou fazendo afirmações contra Deus. Mas, começou lançando a semente da dúvida por meio de uma sugestão. Veja a sugestão da serpente, colocando em dúvida a ordem de Deus, quando ela disse: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” (Gn 3.1). Podemos ver então, que o primeiro pecado começou com um flerte. Entre uma criatura sábia/prudente, que Deus havia criado, e a mulher. Nada parece estranho neste diálogo, a não ser o fato de que o que está sendo lançado em dúvida é a vontade boa e santa de Deus.
     O tentador também parece estar pretendendo colocar na mente de Eva, por meio de sua sugestão duvidosa, de que a Palavra de Deus está sujeita ao nosso julgamento. Como se nós pudéssemos definir o que é certo ou não do que Deus disse. Eva então, seduzida pela dúvida lançada pela serpente, agora responde a sua pergunta com um exagero (Gn 3.2-3). Eva acrescenta algo que Deus não disse, tornando assim a vontade de Deus algo pesado de demais ou legalista, abrindo assim a porta para que o tentador continue seu trabalho maligno.



O pecado consiste em uma negação da vontade de Deus (Gn 3.4-5)- Coração

     Depois de incutir a dúvida, vemos agora que, o tentador faz mais uma tentativa. A serpente propaga uma mentira no lugar da verdade de Deus. Seria como se ela estivesse dizendo: “Deus enganou vocês, o que Ele disse não é verdade!”. Com isso ela toma a verdade de Deus como sendo uma mentira. Algo que pudesse ser desconsiderado. Ele faz com que Eva leve em consideração que Deus pode está enganado ou impedindo que ela e seu marido desfrutem de algum prazer. A primeira doutrina a ser negada é a do juízo, pois a serpente disse: “Certamente não morrereis”. Hoje em dia, muitas pessoas crêem em um Deus que é somente amor e que não irá punir as pessoas pelos erros e pecados. Estas também estão sendo engodadas pelo Diabo em seus corações e esquecem que Jesus falou muito sobre o juízo eterno (cf Mc 9.43-48).
     A serpente apresenta Deus não como um criador bom e cuidadoso, mas como um rival, alguém a ser invejado. Para incutir isto no coração de Eva a serpente mente para eles dizendo que eles “serão como Deus, sabendo o bem e o mau”. Coloca-se então, no coração de Eva o sentimento da rebelião contra o Criador.



O pecado consiste em dar vazão aos sentidos (Gn 3.6) – Atitudes

     Eva havia sido enganada pela serpente. O tentador conseguiu atraí-la com suas mentiras.  Agora, Eva mostra o que está em seu coração. Mostra toda rebelião que foi injeta dentro de si. Mostra em que ela se tornou ao ceder às tentações da serpente.
     Devido ao pecado que foi instalado em seu coração, seus sentidos agora estão também corrompidos. Seus olhos não mais enxergam o mundo da perspectiva de Deus. Por isso ela passa a contemplar aquele fruto que ela já conhecia e que, provavelmente, já havia visto várias vezes. Sua visão não é mais espiritual, agora ela pega do fruto e come. Hoje o mundo se utiliza deste sentimento corrompido para nos conduzir a atitudes corrompidas (1 Jo 2.15-17).
     Nossas atitudes revelam o que há em nosso coração. Quando pecamos estamos mostrando o que há dentro de nós. Adão, provavelmente, viu toda a tentação e estava próximo de sua esposa, mas ele não fez nada. Ele simplesmente foi omisso e comeu junto com sua esposa!
     Há aqui um lembrete para os casais de que a serpente imprimi a tentação invertendo os papéis. Observe que ela não busca o diálogo com Adão, que era o líder. No lugar disto, a serpente busca incutir o pecado na mulher. Aqui há um lembrete para os homens, "maridos assumam sua responsabilidade de líderes do seu lar"!



O pecado traz o medo e a separação da comunhão com Deus (Gn 3.7-10) – Relacionamento.

     Depois de pecarem, Adão e Eva agora colhem o fruto de suas ações. Seus olhos, sua visão, foram modificadas como a serpente havia dito. No entanto, eles agora percebem o mundo que eles conheciam de outra forma.
     O relacionamento entre o casal foi afetado. Eles agora sentiam vergonha da sua nudez, algo que não havia antes. Isto mostra como o pecado corrompeu a percepção de mundo deles. Por isto, eles tentam reparar ou cobrir os efeitos do pecado fazendo um tipo de vestimenta primitiva com folhas.
     No entanto, o autor de Gênesis, nos mostra ainda que ao ouvirem o som de que Deus estava indo encontrá-los, eles então se esconderam da presença de Deus. O texto diz que o SENHOR passeava no jardim pela viração do dia. O verbo “passeava” em hebraico tem uma ação repetitiva, ou seja, todos os dias o SENHOR se encontrava com Adão e Eva.
     O pecado os impediu de se encontrarem com Deus e desfrutarem de sua presença. O pecado trouxe a morte espiritual para aquele primeiro casal. O casal que antes andava com Deus e se regozijava em sua presença, agora depois do pecado, se encontra longe de Deus em uma fuga vergonhosa, e que no lugar do gozo da presença de Deus passam a sentir medo de sua presença.
     O pecado sempre quebra nossa comunhão com Deus. Sentimos nojo do pecado e nos sentimos tão longe de sua presença. Mostrando assim que nosso relacionamento foi terrivelmente afetado por causa do pecado. Vejam o caso de Caim, que depois de pecar, reconhece que terá que “fugir da presença de Deus” (Gn 4.14), então ele se afasta da presença de Deus e vai para terra de Node, que significa peregrinação. Ele começa a peregrinar para longe de Deus!

     Podemos concluir que pecado corrompeu totalmente o ambiente que Deus havia criado para comunhão com o homem. Isto aconteceu quando deram lugar em seu coração a dúvida e ao ressentimento. Depois deram lugar à incredulidade e passaram a duvidar da Palavra de Deus. A seguir, deram lugar para o orgulho e ao mau desejo de seu coração. O passo final foi a desobediência desenfreada. Isto trouxe conseqüências sérias. Pois por causa desta rebeldia toda descendência de Adão foi afetada. O apóstolo Paulo disse “que por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (Rm 5:12).
     Esse ciclo do pecado está em voga ainda hoje. Abramos os olhos para que não caiamos no mesmo ciclo de pecado que nossos primeiros pais.



Pastor Gilberto Anselmo.

sábado, 8 de novembro de 2014

O que é um "REFORMADO"?

Por Augustus Nicodemus Lopes


            O crescimento do interesse pela fé reformada em todo o mundo é um fato que tem sido notado aqui e ali pelos estudiosos de religião. Crescem em toda a parte a publicação de literatura reformada, o ingresso de estudantes em seminários e instituições reformadas, a realização de eventos, o surgimento de novas igrejas e instituições de ensino reformadas e o número de pessoas que se dizem reformadas, especialmente oriundas de denominações pentecostais.

            Como se trata de um rótulo, é preciso definir “reformado.” Por “reformado” entendo aquele que adere a uma das grandes confissões reformadas produzidas logo após a Reforma protestante no século XVI, aos cinco grandes pontos dessa Reforma, que são Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fides, Solus Christus e Soli Deo Gloria e aos chamados “Cinco Pontos do Calvinismo,” resumidos no acrônimo TULIP (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança final).

            A Reforma produziu movimentos associados aos seus grandes líderes, os quais concordariam substancialmente entre si quanto aos “solas” e o TULIP, mas que divergiram em outros pontos. Refiro-me a luteranos, zuinglianos e calvinistas. Com o passar do tempo, o nome “reformado” foi se associando mais e mais aos calvinistas, de maneira que, de maneira genérica, os termos “reformado” e “calvinista” são usados hoje como similares.

            Existe, todavia, um grande número de igrejas que são da "tradição reformada" mas que já não creem de maneira ortodoxa quanto a estas doutrinas. Geralmente essas igrejas não estão experimentando esse crescimento, mas um esvaziamento, como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) e outras denominações historicamente ligadas à Reforma, mas que já não professam seus postulados. Por outro lado, da África, Coréia, China, Indonésia, e Brasil, por exemplo, chegam relatórios do florescimento calvinista. É claro que o calvinismo acaba recebendo diferentes interpretações e expressões em tantas culturas variadas, mas os pontos centrais estão lá.

            Isso não quer dizer que os reformados são muito numerosos, comparados com pentecostais e arminianos, por exemplo. O que eu quero dizer é que os relativamente poucos reformados têm experimentado um crescimento que já chama a atenção de muitas denominações e tem provocado alertas da parte de seus líderes.

            A ressurgência calvinista nos Estados Unidos não está ocorrendo somente entre os Batistas, mas entre muitas outras denominações. Um dos motores é o ministério de pastores reformados populares, como John Piper, R. C. Sprou, Al Mohler, J. C. Mahaney, Tim Keller, Kevin DeYoung e John MacArthur, entre outros. Os eventos promovidos por eles recebem milhares de pastores de todas as denominações e seus livros são traduzidos em dezenas de línguas, inclusive em português. No Brasil temos quase todos os títulos destes autores.

            Mas, o interesse maior na fé reformada no Brasil parece ser da parte dos pentecostais. Cresce a presença de pastores e líderes pentecostais nos grandes eventos reformados no Brasil. Cresce também o número de pentecostais que estão adquirindo literatura reformada. E cresce o número de igrejas pentecostais independentes que estão nascendo já com uma teologia influenciada pelo calvinismo. Algumas denominações pentecostais também vêm recebendo a influência calvinista a passos largos.

            O ministério de editoras que publicam material reformado, como a Editora Cultura Cristã, a Fiel e a Publicações Evangélicas Selecionadas, por exemplo, tem servido para colocar as obras de reformados brasileiros e internacionais nas mãos dos evangélicos brasileiros ávidos por uma teologia consistente, e cansados dos excessos do neopentecostalismo e da aridez do liberalismo teológico.

            Não tenho uma explicação definitiva para esse fenômeno do retorno da TULIP. No mínimo, é curioso que uma fé tão perseguida e odiada como o calvinismo, de repente, passe a ter mais aceitação. Poucos, na história da Igreja, foram tão mal entendidos, distorcidos, vilipendiados, odiados e amaldiçoados quanto João Calvino. Chamado de tirano, déspota, incendiário de hereges, frio, duro, determinista, criador do capitalismo selvagem, Calvino tem sofrido mil mortes nas mãos de seus detratores, os quais, na maioria das vezes, nunca leram sequer uma de suas obras, e que formaram sua opinião lendo obras de críticos.

            Somente espero que, à medida que o movimento cresce no Brasil, os reformados aprendam a reter o que é essencial e bíblico na Reforma, sem tornar em matéria de fé aquilo que pertenceu a séculos passados em outras culturas, como, infelizmente, já tem acontecido no Brasil com alguns grupos. Que eles lembrem que a fé bíblica, que é a fé da Reforma, também pode se expressar dentro da rica e variada cultura brasileira.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Conformados à sua Imagem: A vida é uma viajem, mas para onde vamos? (Hb 11.8-16)


    Suponha que seu médico após analisar seus exames diz que você tem apenas um ano de vida. Após consultar outros médicos todos chegam à mesma conclusão. Como esta notícia afetaria sua visão da vida, seu papel na sociedade, sua forma de administrar e investir o tempo?
     Quando comparada com a eternidade a nossa vida é tão breve. A Bíblia já nos mostra isto de forma clara! Podemos ver isto nas palavras do rei Davi (Sl 39.4-7) e de Moisés (Sl 90.10,12).
     Existem duas formas de encararmos a brevidade de nossa vida. Na primeira forma, as pessoas buscam as coisas terrenas e temporais, por exemplo: satisfazer seus desejos carnais, buscar o sucesso apenas nesta esfera da vida, viver de uma forma como se esta realidade temporal fosse a mais importante da existência humana. Muitos que adotam esta postura dizem “temos que curtir, pois a vida é breve”. Na segunda forma, as pessoas dão prioridade às coisas eternas. Tudo o que fazem está ligado com a eternidade. Estas pessoas vivem baseadas na sua fé em Deus. Por isso, toda sua visão está guiada pela perspectiva não do temporal e passageiro, mas do duradouro e eterno.
     Diante disto gostaria de refletir com os irmãos sobre como devemos investir a nossa vida nesta breve caminhada!
1. Devemos caminha buscando o que é eterno e não o que temporal (Hb 11.8-9; 2 Co 4.16-18).
1.1   Fica claro pela leitura que fizemos que Abraão, ao atender o chamado de Deus, indo para uma terra ele não conhecia é uma demonstração de que sua prioridade foram as coisas eternas e não temporais.
1.2    Abraão obedeceu por fé ao chamado de Deus, e segundo o próprio autor aos Hebreus a “fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hb 11.1).
1.3   Abraão andou por fé esperando por uma promessa que o Deus eterno havia feito a ele. Veja que vida deste homem não estava sendo guiada pelos valores temporais, antes seus passos foram guiados pela fé nos valores eternos.
1.4   Lembremo-nos do disse o apóstolo João sobre estas duas realidades (1 Jo 2.15-17).
1.5   Uma perspectiva eterna nos ajuda a enfrentar de forma correta as dificuldades desta vida (2 Co 4.16-18).
      2.  Devemos caminhar buscando conscientes de que somos peregrinos (Hb 11.13-15; cf Sl 119.19; 1 Pe 2.11)
2.1   Observe que tanto Abraão como os seus descendentes viveram uma vida de conformidade com a fé e confessaram que eram peregrinos na terra.
2.2   O fato de ser um peregrino mostra que eles buscavam o seu lugar de origem! E este lugar de origem não era nesta dimensão temporal e passageira.  
2.3   Em nossa caminhada por esta vida, devemos lembrar que nós não podemos fazer desta realidade nossa casa permanente. Vivemos neste mundo, mas não somos deste mundo (Jo 17.16).
2.4   O Salmista ressaltou este conceito de peregrino quando disse: “sou peregrino na terra, não escondas de mim os teus mandamentos”. O apóstolo Pedro também descreveu esta peregrinação (1 Pe 2.11), mostrando que temos que lutar contra o pecado. Desta forma estaremos em conformidade com as coisas eternas (santidade) e não com as temporais (pecado).
     3. Quem caminha buscando o que é eterno sabe que escolheu a melhor parte (Hb 11.10, 16; Fp 3.18-20; Ap 21.1-4,7)
3.1   Abraão e seus descendentes viveram orientados pelas coisas eternas e tiveram a consciência de sua peregrinação. No entanto, eles também estavam consciente do valor superior das coisas eternas!
3.2   Eles esperavam uma cidade, sua terra, o fim de suas peregrinações, da qual Deus é o planejador (arquiteto) e o construtor (artífice). Esta cidade é celestial e não terrena.
3.3   Esta cidadania é melhor do que a que temos nesta vida! E o próprio Deus não se envergonha de ser o Deus deles, pois eles escolheram as coisas eternas!
3.4   O apóstolo Paulo disse que muitos se preocupam com confusões e com esta vida, mas nossa pátria está nos céus (Fp 3.18-20).
3.5   O apóstolo João viu nossa cidade celestial, a Nova Jerusalém. Ele descreve como é incomparavelmente melhor (Ap. 21.1-4,7).
     Conclusão: Nossa vida é como um breve pensamento (Sl 90.9) ou a neblina que surge e logo desaparece (Tg 4.14). No entanto, há uma realidade melhor e eterna. Mas, como você tem guiado sua vida? Para onde você indo? Talvez você entrou aqui caminhando baseado nas coisas temporais, mas entendeu que as coisas eternas são superiores e melhores. Eu quero dizer que você pode desfrutar desta realidade hoje, vindo ao Pai por meio de Jesus Cristo (Jo 14.6). Aceite-o como seu único Salvador, que te livra da condenação do pecado e te faz um peregrino que caminha para um Novo Céu e Nova Terra!
     Mas se você já é crente, renove sua esperança em Deus e nas suas promessas. Não se deixe levar pelo prazer temporário do pecado, busque uma vida de santidade. Não deixe que prazer mundanos sejam colocados em seu coração, busque se satisfazer em Deus (Sl 73.25). Não deixe que o materialismo se faça perder o foco, antes coloque seus olhos nos tesouros espirituais que temos em Cristo (Mt 6.19-20). Somente assim, seremos cada vez mais conformados à Imagem de Deus!


No amor de Cristo,
Pr. Gilberto Anselmo.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

A encarnação do Evangelho: o desafio da missão no dia-a-dia (Mt 5.13-16)


Hoje se fala muito em missão. No entanto, ao falarmos de missão, seria interessante definirmos o que é missão. Podemos definir a missão de Deus como sendo a ação de Deus que trabalha triunfantemente na história da redenção para o resgate do seu povo e de sua criação. Seu alcance é toda a terra e seu alvo é enchê-la com a glória de Deus (Hc 2.14). O mais impressionante é que isto nasce no coração do Deus trino. Podemos dizer que há uma missão no coração de Deus!
Ao olhar para vida de Cristo podemos ver em sua encarnação, que ele veio cumprir a missão de Deus. Já sua Igreja dá continuidade à missão e ela tem uma mensagem – o evangelho poderoso de Jesus, as boas-novas de salvação –  que deve ser levada a todos os povos. No dia de sua ascensão o Senhor Jesus comissionou seus discípulos a irem a todas as nações (Mt 28.18-20).
Mas o que isto tem a ver conosco, crentes do século XXI? Creio que isto nos chama a pensar sobre o nosso papel na missão de Deus. Nosso papel nesta missão é a encarnação do evangelho. Esta encarnação é um convite a vivermos o desafio da missão em nosso dia-a-dia.

A encarnação do evangelho envolve uma ação transformadora

Em primeiro lugar, a encarnação do evangelho envolve uma ação transformadora. Jesus disse aos discípulos, que eles eram o sal da terra e a luz deste mundo (Mt 5.13). Isto é uma grande responsabilidade. O sal naquele período, e ainda hoje, é utilizado como um meio de preservação. Muitas mulheres colocam sal na carne para retardar o seu estado de deterioração.
A Igreja de Cristo como sal, tem este desafio de atuar nesta sociedade caída como sendo aqueles que combatem a corrupção moral e espiritual. O mundo de fato é ímpio e corrupto, mas só Deus sabe o quão mais corrupto ele seria sem o exemplo, a vida e as orações dos santos que refreiam a sua corrupção (cf. Gn 18.26-32).
Já a luz tem uma ação dissipadora das trevas. Mas, é interessante notar que na Bíblia a luz do mundo é o próprio Senhor Jesus (Jo 8.12). Por tanto, a igreja é uma transmissora de luz! Somos como luzeiros no mundo (Fp 2.15) e isto envolve nossa postura ética diante do mundo.
Jesus diz ainda que da mesma forma que a luz ilumina publicamente uma casa escura, nós devemos trazer a luz de Cristo. O desafio de encarnar o evangelho de Jesus tem como grande desafio um contato com o mundo caído, mas também uma transformação desta realidade pecaminosa.
Em segundo lugar, a encarnação do evangelho é vista nas nossas ações. Devemos agir de forma que o mundo veja as nossas ações. Observe que a mensagem salvadora deve não somente ser anunciada, proclamada, mas deve ser vista!
As nossas obras devem ser o espelho da nossa fé. A igreja precisa viver o evangelho e este necessita ser visto pelo mundo. O evangelho deve ser encarnado na vida de cada crente ao ponto que ele possa ser expresso em cada ação (Tg 2.14-18; cf. Cl 3.23-24).
Aquilo que se denomina sal, que seja realmente sal! Existem pessoas que jamais leram a Bíblia, contudo estão nos lendo constantemente. Se nossa conduta não for correspondente ao nosso chamado, então nossas palavras serão de pouquíssimo valor.
Isto não quer dizer que igreja deve ser uma ONG ou um grupo meramente de Ação Social. Isto não é Igreja! A igreja deve proclamar o evangelho poderoso de Cristo (Rm 1.16), mas não deve deixar de vivê-lo!
Em terceiro lugar, o objetivo da encarnação do evangelho é a glória de Deus. Observe que o objetivo da encarnação do evangelho é a glória de Deus. O apóstolo Paulo entendeu este princípio ao escrever 1 Co 10.31. Vivemos o evangelho em nossos membros carnais para que o nome de Deus, nosso Pai Celeste, seja glorificado em toda a terra (Hc 2.14). A Igreja de Cristo, que vive para glorificá-lo, deve entender que a única forma de alcançar este objetivo, sublime e divino, é encarnando o evangelho em nossas vidas.
Podemos concluir que a missão de Deus é algo que está no próprio coração de Deus e que foi vista em sua plenitude na pessoa de Cristo e que deve ser vivida na Igreja de Cristo todos os dias.
Isto inclui uma vida onde o evangelho possa ser visto em nossas ações. Por isso, devemos entender algumas verdades: 1) todos os crentes, sem exceção, são chamados à tarefa missionária; 2) Nesta tarefa temos como mensagem a ser proclamada o evangelho poderoso de Cristo; 3) Nossas atitudes refletem a nossa fé e o evangelho que pregamos, por isso deve haver harmonia entre nossa pregação e nossa vida diária; 4) Creio que não fazemos missão em um determinado momento do dia, mas que vivemos a missão em todos os momentos de nossas vidas.


No amor de Cristo,

Pr. Gilberto Anselmo